Fuga da dor

(por Alexandre Pelegi)

Em seu clássico livro “O mal-estar da civilização”, Freud conclui que existem basicamente três saídas para a dor: a desistência do desejo, a substituição do prazer ou a fuga pura e simples da frustração. A filosofia e as religiões nos ensinam maneiras de renunciar ao desejo; a ciência e a tecnologia, como as artes, nos fornecem substitutos poderosos para o prazer.

A fuga da realidade, esta pode se dar de várias formas: uso de drogas, fanatismo religioso, maneiras que cada um encontra para embotar sua capacidade de sentir o sofrimento. Até onde entendi, Freud garante que todos nós, mais cedo ou mais tarde na vida, lançamos mão de algumas dessas soluções para escapar da dor.

Desistir do desejo é uma maneira de evitar o sofrimento. Pelo menos é o que muitos de nós acabamos concluindo, cada qual a seu modo e a seu tempo. Imaginamos sempre o caminho inevitável que qualquer relação amorosa nos impõe: ao buscar a superação do sofrimento através de um parceiro, o amor, cedo ou tarde, nos trará a dor da separação.

Nos novos tempos, não acreditamos mais no tradicional lema dos contos de fadas que garantia “casaram-se e foram felizes para sempre”… Logo, para que amar, se mais cedo ou mais tarde isto resultará em sofrimento e desespero?

Podemos ser felizes trocando de celular a cada mês? Usando drogas pesadas? Ganhando na mega-sena? Existe antivírus para a dor da perda, da frustração profissional, da desilusão amorosa?

Esta roda-viva que a vida nos prega traz o desejo no centro de tudo. Buscamos a felicidade, esse bem que desconhecemos quanto mais o perseguimos. E apesar dos riscos, e da certeza de que tudo que é bom, mais cedo ou mais tarde, um dia findará, continuamos a perseguir desejos, estados de euforia, alegrias passageiras…

Nascemos para a felicidade. Passamos a vida desejando torná-la um bem duradouro. Enquanto isso, o relógio corre… Como pergunta Freud: “de que nos vale uma vida longa se ela se revela difícil e estéril em alegrias, e tão cheia de desgraças que só a morte é por nós recebida como uma libertação?”.

Carpe Diem

Uma resposta para “Fuga da dor”

  1. Do que valeria a vida se todas as pessoas pensassem dessa forma, o que seria dos projetos, planos e realizações? Não existiriam??
    A vida é feita de sensações, e a dor é apenas uma delas. Temos que sentir dor para que possamos identificar o que são e quais são os sentimentos que realmente importam para o homem. Viva intensamente o amor, a esperança e a bondade, dessa forma quando sentir dor, vai se lembrar dos sentimentos bons e arrumará forças para sair da escuridão e achar a luz!

    Thiago Principe Nunes

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *